Aquele vento foi o sinal que algo não estava bem, na verdade, era pelo fato de ele estar fazendo algo errado que a sensação de algo vir a dar errado, logo, ao que o vento espalhava seus cabelos, um arrepio lhe subia a espinha, ao mesmo tempo que tinha a certeza que alguém o observava.
Então, tão logo ele se vira para olhar, seus olhos já acostumados com a escuridão, ele percebe que não era apenas uma sensação, havia um par de olhos que, ao longe observavam vidrados, fixos ao local onde ele estava, naquele momento, seu corpo gela, como nos contos que sua avó citava a respeito de espíritos, em que ao passar, gelavam o corpo, como forma de senti-los.
Estava tão escura aquela noite, que facilmente se perderia de alguém se afastando não mais que 10 metros, ele colhia uma a uma, e em seu pensamento, aquilo ainda observava, mesmo assim, era distante, logo, não oferecia perigo eminente, então, continuava em sua tarefa árdua e repetitiva, colhia, colhia, a medida que o vento batia, o barulho do mar aumentava, alguns animais ao longe faziam barulho no mato, era como uma cena de algum filme barato de terror, tão logo a medida que os berros dos animais, o vendo e o canto fúnebre do mar aumentavam, ele colhia com força e pressa ainda maior, notadamente nervoso e já temendo pela sua integridade física.
Ele então para por um instante, e se vira pra onde tinha visto os olhos que o observavam, então percebe que ele não estava mais ali, se acalma e sente que aquilo tinha sido objeto de sua imaginação, então, seu corpo para de tremer, seu rosto descontrai e até um sorriso amarelo surge, ao mesmo tempo que cria coragem pra olhar todo o espaço a sua volta, como que pra reafirmar que estava só, e nada, nem ninguém o atrapalhavam, então, agora era seguro de si, e nem o vendo nem o fanfarrear dos animais o faziam perder a calma, e agora o barulho do mar, soava como musica aos seus ouvidos.
Então, recomeça sua atividade clandestina, observando agora que o saco que levara para recolher, começava a ficar cheio, então, tão logo se enchesse, sairia dali, vitorioso e ostentando vitoria, a tempos que queria entrar para aquele grupo, e essa era a prova final, tão jogo tivesse êxito, seria parte, faria parte daquele grupo, teria amigos, já que, fazia pouco tempo que morava ali, e como das tantas outras vezes em que havia se mudado, se sentia sozinho, se sentia triste, incomodado com aquilo, com sua vida itinerante, de fato, estar ali, era poder provar mais uma vez que podia, que era capaz de fazer e ter novas amizades.
Nisso o vento se intensifica a medida que a noite se torna ainda mais escura, então, aquela sensação volta e ele sente um medo terrível de olhar, algo olhe observava, ao longe o pio de uma coruja faz seu coração acelerar ao mesmo tempo que, apesar do frio, uma gota de suor escorre em sua testa, ele vai se virar, olhar, fraqueja, sente medo, provavelmente não havia nada, mas ficar com aquele pensamento de nada ajudaria, era do tipo que tinha que ver para crer, então fica, pensativo, já não colhia mais, so pensava, suava ainda mais, as pernas já tremiam novamente, o vento balançava as arvores fazendo um barulho intenso, dando a situação aquele ar de terror incrível.
No auge dos seus 13 anos, Leandro cria toda coragem possível e se vira, olhando o vazio que se tornava o escuro, e fica a procura, por um segundo tem a sensação de ver aquele par de olhos brilhantes, mas que logo se esvaia na incerteza de quem sentia medo, ele então olha para todos os lados, precisava se certificar de que nada ali era vivo ou o observava, apalpa onde havia depositado o que tinha colhido, já era suficiente, tinha que ser suficiente, caso contrario, havia falhado na missão, tão logo iria se mandar dali sem ao menos olhar para trás.
Então, de súbito, ele se vira prontamente ao sentir, escutar algo em sua retaguarda, é um instante seguido do outro que aquele par de olhos em brasa surgem na sua frente, ele agora treme, sua voz com certeza falharia caso quisesse gritar, mas gritar pra quem, por quem, estava sozinho, nada nem ninguem alem dele mesmo poderiam salva-lo, mas as pernas tremiam, o coração acelerado, a boca seca, suando frio, numa das mãos o saco com o que conseguira aquela noite, não abandonaria aquilo, pois era a garantia de sucesso pessoal, então, os olhos de fogo, se aproximavam ainda mais, ele sentia que precisava recuar, mas nada das pernas obedecerem, medo, era apenas isso que ele podia sentir naquele momento, então o vento vazia um barulho distante, semelhante a um choro, o jovem então, cria forças, tenta ao menos, da um passo lento atrás, mas suas pernas ainda bambeavam, o coração se mantinha acelerado, os olhos vinham na sua direção, a mão já não conseguia segurar com a firmeza original que segurava o produto de sua cobiça.
Nisso a lua, que a muito se mantinha escondida sobre nuvens escuras, devido ao vento logo voltaria a brilhar, então o menino criando todas as suas forças, arrancando do fundo de suas entranhas coragem e destreza, se vira de súbito ao mesmo tempo que empreende fuga, o suor das mãos e o medo excessivo, fazem com que ele derrube o saco cheio de goiabas no chão, ao mesmo tempo que a lua surge no céu tornando visível um grande gato preto que ao escutar o barulho das frutas tocando o chão, e a corrida do assustado menino não contem um miado longo, mas não é ouvido pelo menino que aquela hora já devia estar longe, sem as frutas, mas com uma baita historia verídica pra contar pelo resto da vida.



Nenhum comentário:
Postar um comentário