“Não posso afirmar se era desse mundo, impossível saber se incrível ser existia realmente, como um vulto que passeava pelas sombras, ele nos atacava a todo instante, não ouvi tiro algum, mas esse silêncio era aterrorizante, no silencio da noite ele matava a todos, é assim que deve agir a morte, eficaz e silenciosa”.
A casa do coronel Vieira ficava num dos muitos bairros da região nobre do Rio de Janeiro, uma grande casa, mas que, nas palavras de Vieira, não tinha nenhuma graça sem a presença da menina Fabiana.
Urso aloja-se num dos quartos da casa, naquela mesma noite sai com Vieira até a base principal das operações da agencia que o coronel comandava, agencia da qual urso fez parte um dia, e lá, numa sala repleta de armas, Urso escolhe suas armas...
Uma sala ampla, todas as paredes cobertas por armas, das mais variadas possíveis, de pronto, Urso apanha uma pistola 9 mm, com um silenciador embutido, dois pentes a mais, dando assim uma capacidade maior a arma, ele pega também um revolver calibre 38, daquele a forma antiga, com tambor, como dizia Urso, essas armas antigas são uma segurança a mais, porque dificilmente falham.
Depois de alguma procura ele encontra um rifle ultimo modelo, não saberei informar o calibre, mas o importante é que tal rifle era munido de uma mira telescópica, que possibilitaria a Urso, dar um tiro de longa distancia sem ter a menor chance de erro, já que possivelmente, a vida da jovem depende-se da exatidão dos tiros do Urso.
O traje que tanto Urso havia usado nas suas missões estava lá guardado, com todo carinho que se guarda as roupas de um filho.
Ele põe a roupa na mala, e sorri ao ver sua velha cinta, verifica se lá estavam as adagas, lá estavam, a muito esquecidas, mas logo voltariam a beber o sangue inimigo, e salvar seu fiel amigo Urso.
Naquela hora Coronel Vieira chama a atenção do amigo para um computador que ele observava atentamente, ele fica alguns minutos de olho ao mapa que ilustrava a tela, alguns pontos em vermelho chamavam sua atenção em especial.
- De quando são essas informações?
- Fizemos um rastreamento no mesmo dia que ela foi seqüestrada, a segunda foi pela mensagem que me foi enviada.
- Mais ou menos 3 dias, não é muito tempo, acho que estão para entrar em contato conosco, vamos a sua casa, preciso ou estar perto quando eles ligarem, ou ao menos que essa conversa seja gravada.
- Já providenciei isso urso, será feito.
- E você colocou mais alguns homens na rua tentando descobrir algo?
- Não, tive medo de cometerem algum erro, e nesses casos não há espaços para erro.
- concordo, esperarei eles ligarem, provavelmente essa mensagem tenha sido mandada de algum telefone roubado, isso dificulta...
- Rastreei a mensagem Urso, foi mandada pela Internet...
- maldita tecnologia, todos tem acesso, e ela fica ai, pronta pra ser usada pelos bandidos.
- vamos a minha casa, precisa descansar urso...
- o farei Vieira, assim que esse caso for resolvido.
Vieira sorri ao ver a convicção do seu velho amigo.
A noite já havia caído a muito, urso estava como sempre, ligado, sentado na sala ao lado do telefone, com ele o amigo Vieira, sem falarem, apenas olhavam ao vazio, a espera é angustiante.
Urso se levanta, vai dar uma volta pela casa, num dos corredores ele começa a olhar as fotos, em todas, a pequena Juliana, a mesma menina que ele via sempre que visitava a casa, não era mais uma menina, nas fotos mais recentes, Urso pode ver ali uma bela mulher com cabelos longos e negros, assim como seus olhos, de um negro que assustava. Urso fica ali olhando o rosto da bela jovem, imaginando o medo que ela estava passando naquele momento, e sentia nojo de sua própria raça, enojava-se com homens capazes de maltratar e ate mesmo matar mulheres inocentes, isso era a ele um combustível, urso mataria para salvar, mataria.
Urso estava vidrado a foto quando seu subconsciente algo o desperta do transe ao mesmo tempo em que ao fundo ele ouve o vibrar de um telefone tocando.
Mais que rápido ele volta sala, Vieira coloca no viva-voz e fala:
- Alo...
- Vieira?
- sim, sou eu, quem é você?
- não importa quem sou, mas o que eu desejo que importa...
- quero minha filha, quero falar com ela...
- depois, no momento vamos aos negócios...
- o que quer?
- diga o senhor, coronel do exercito Brasileiro...
- armas...
- sei que sua agencia fará a segurança daquele crente famoso que vira ao Brasil final do mês.
- como sabe?
- Pouco importa isso...
- Então o que quer?
- vamos matar aquele homem, e você facilitara isso.
- está louco homem, se aquele religioso morrer, será uma catástrofe ao Brasil.
- é essa a idéia – diz o homem ao mesmo tempo em que ri alto – é a vida dele pela da sua FILHA, ou ela ou ele, você escolhe Senhor Coronel...
- Está bem, o que eu faço?
- no momento creio que nada, quando saberá o itinerário dele no país?
- depois de amanhã...
- Perfeito, volto a ligar.
- deixe-me falar com minha filha, nem sei se ela esta viva...
Fica um silencio cortante, segundos depois se ouve uma voz de mulher no outro lado da linha:
- Papai. Tire-me daqui, não agüento mais pai... Não deixe que me matem...
Antes mesmo que o coronel pudesse falar algo a comunicação é interrompida, Vieira desaba a chorar sendo amparado pelos braços do amigo.
Urso então pega a gravação feita, leva consigo ao seu quarto, passaria a noite estudando, tentando descobrir algo, ao mesmo tempo peritos estudam a linha telefônica.
Depois de ouvir inúmeras vezes a gravação se atenta ao fundo, barulhos de carros, mas o que mais chama a atenção é o barulho do mar, ondas que batiam ao fundo dando a impressão da casa estar próximo a praia. Anotando isso ele começa a ouvir e passar tudo novamente, e fica naquele exercício a noite toda, não tendo outras descobertas.
Quando o sol começa a nascer ele já está de pé, tomando um pouco de café ele sai logo em seguida, ouviria os sons da cidade a fim de abrir a mente.
Coronel Vieira também havia passado a noite em claro, na sala de sua casa ele olhando o vazio mal ouve o som do celular que toca algumas vezes antes dele atender.
