Ao abrir os olhos ele pode ouvir nitidamente os batidos ao longe, na certa alguém que não tinha noticias da noitada que ele havia passado, pois tamanha a força que batiam a porta, que sua cabeça ainda afetada pelos goles a mais da noite anterior, que faziam cada batida doer fundo na mente daquele homem que despertara naquele instante.
Olhos semi abertos, consulta cegamente o relógio, sete e meia da manhã, amaldiçoando o ser que estava despertando aquele momento, ele senta-se a beira da cama, olhar perdido e embaçado, leva mais alguns segundos até se acostumar com a penumbra que pairava naquele quarto.
Pouco a pouco sua visão volta ao normal e ele então observa o quarto ao seu redor, não, aquele de forma alguma era seu quarto, e ainda não poderia saber o que estaria ele fazendo naquele local até o momento desconhecido, então, as batidas recomeçam com ainda mais forças, o jovem então olha pela janela, sem sair do lugar, na esperança de ver quem batia com tamanha severidade a sua porta.
Jonas era um menino que completara na noite anterior, 18 anos, quem sabe, aquela fora a noite mais especial de sua vida, quem sabe, uma vez que naquele instante, nada vinha na sua cabeça, como se a noite anterior tivesse sido apagada de sua memória, e acordara ali, naquele quarto estranho com alguém que batia a porta de forma a dar medo, principalmente ao desconhecido que ele era naquele momento.
Jonas era de uma família típica do interior, era até o momento, o caçula de uma família de 4 irmãos, já que, após quase 18 anos, os pais resolveram ter mais um filho, o que fora um baque ao jovem até então, considerado pela mãe um bebe, que, se viu daquele momento em diante, um homem, com mais liberdades e direitos.
Ao olhar ao redor do quarto, ele vê deitado na cama, uma mulher de mais ou menos uns 30 anos, espojada na cama, com uma coberta velha por cima do corpo adormecido
As batidas recomeçam e ele de sobressalto, vê a mulher se mexer lentamente, sonolenta e entorpecida, talvez pelo sono, talvez por algum tipo de bebida e ou droga, Jonas observa a mesma por alguns instantes, na vã esperança de quem sabe reconhecer aquela mulher, entender a situação na qual ele se encontrava, desorientado, em um quarto estranho, com uma mulher estranha e semi nua ao seu lado, e algum desconhecido, batendo a porta com demasiada agonia, então ele se levanta mais uma vez ia abrir a porta, quando sente algo gelar sua espinha, então esfregando os olhos fazendo força, pensa, e se quem bate a porta for o marido dessa mulher, namorado, e se ele me agredir, poderia me matar, poderia, eu não me lembro.
Voltando a cama, volta a observar, a mulher abre o olho lentamente, ainda forçando e sensível a luz, sorri largamente a Jonas, que com a cara de assustado, tenta, em vão, lembrar, entender, e a porta sendo cada vez mais esmurrada, com ainda mais força, ainda mais empenho, pelo desconhecido visitante.
Mais uma vez de pé, dessa vez, decidido a abrir a porta e enfrentar de uma vez por todas, qualquer que fosse a situação. Jonas se enrola na coberta, formando uma espécie de capa, talvez tirasse dali força e coragem para tal ação.
Ao passar por um espelho, olha sua silueta, de relance, passando direto, retornando em seguida, então, solta um berro, daqueles que só quem está num momento de pavor é capaz de dar, e olhando para o espelho fica em transe, nesse momento a mulher se levanta assustada, o envolve num abraço, colocando a cabeça em seu ombro de forma a observar os dois rostos pelo espelho, e o que se vê, um belo casal de pouco mais de 30 anos, a mulher sorrindo vê a cara de pavor do homem que balbucia, meu rosto, estou velho, estou velho, ao mesmo tempo que toca a face levemente, então a mulher, sorrindo ainda mais forte diz, querido, eu bem que avisei, você devia beber menos na próxima vez, dizendo isso a mulher vai a porta, abre e volta com uma cesta de café, com um grande bilhete que dizia, feliz aniversário de 10 anos de casamento.
baseado em; http://surgiu.com.br/noticia/16439/caso-raro-de-amnesia-faz-mulher-de-32-anos-acordar-pensando-ter-15.html
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