segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Um conto de infância

A mãe que carregava o mundo

Quando tenho uma idéia, confesso que se, de imediato começar a escrever, flui como que por magica, sem ao menos dar descanso a mente.  Entretanto, essa historia eu presenciei a algum tempo, e só agora, meses depois, me pego a escreve-la, culpem-me se faltar então algum detalhe.
Era uma manhã de segunda feira, o sol brilhava aquela manhã com tamanha intensidade, animei-me, a tempos que vivia um projeto de exercícios e dieta, perder peso e ser saudável. E aquela manhã, não tão comum para mim, apanhei um mp3, coloquei um tênis e sai a rua, caminharia, meia hora, uma hora talvez, até dar o tempo de entrar no trabalho.
Andava eu por um caminho ainda próximo a minha casa, não bem um caminho, já que a tempos não tínhamos mais caminhos aqui, mas ruas, terra batida, mas uma rua. Eu andava despercebido, absorto na melodia que tilintava forte nos fones de ouvido, quando me dou conta que logo a minha frente, caminhava uma mãe e seu filho, ela trajando roupa simples,  cabelo emaranhado em um rapo de cavalo descompassado, e um chinelo de dedo rosa, envelhecido pelo tempo.  O menino, não mais do que 8 anos, talvez menos, devidamente uniformizado, o que me assegurava que estavam se dirigindo a escola.
O que no entanto me chamava a atenção naquela cena, era que apesar de a mãe aparentar fragilidade típica da idade avançada, e o menino cultivar a saúde e vigor de quem tem uma vida para sempre, ela trazia a tira colo a mochila do menino, que perambulava serelepe pela rua.
De primeira, meu pensamento fora, que folgado, enquanto ele passeia sossegado, a mãe se ferra carregando aquele peso todo.
E sem notar meu olhar, o menino continua sua saga pela rua, hora corria com um galho nas mãos, imitava o ronco de um motor de carro de corrida, o galho era o volante e ele um famoso piloto. Largara o “volante” ao mesmo tempo que inicia uma série de chutes em uma lata de refrigerante vazia, agora era um importante jogador em final de copa do mundo.
E assim ia, alheio aos problemas da vida, alheio as dores que marcaram e ainda marcariam o rosto de sua velha mãe, não sei se aquela era sua mãe, mas ele seguia, não conheci sua historia, não reconheci seus pensamentos e ainda assim me senti próximo a sua historia a sua vida e a seus pensamentos.
Caminhamos por mais algumas quadras até que nos separássemos enfim, rumos diferentes, eu  voltava aos meus pensamentos e musica, e eles, o menino na verdade, quem sabe o que seria agora, super herói,  bombeiro,  007, ou um ninja em missão secreta.

Mas para mim, só depois pude perceber o ato daquela mãe, amor incondicional, em sua limitação, sua fragilidade feminina e de uma idade avançada, carregava o peso para seu filho, pois ao carregar o peso, tirava dele o peso, e ele precisava apenas ser criança, sonhar, e sonhar..

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Urso e o Apc Zumbi - Parte 2



4
Quando o sol nascia naquele dia, algo havia mudado, talvez tudo tinha mudado, não se sabia ao certo.
Pedro era um jovem de classe media, boa família, amigos, uma vida comum e feliz, sonhador, mas que de nada entendia da vida, até então.
Pouco antes, era um dia comum, estando ele em mais uma semana comum, aula, provas, vida cotidiana que a muito não mudava, mas mudaria, para sempre.
Com as noticias na tv, como a grande maioria dos seres habitantes do planeta terra, pouco deram importância, era obvio que não passava de mais uma noticia como tantas outras, sem fundamento.
Estava Pedro em sua casa, quando resolve sair, como fazia todos os dias, a menos de um mês sem namorada, sua rotina era correr, andar, viver sem um rumo aparente.
Quando as aguas invadiram a cidade, o caos havia tomado conta, não estavam preparados, e em menos de meio minuto, um inferno desencadeou, ao mesmo tempo que se viam pessoas desesperadas, corpos e gritos.
Por mais que pareça um milagre, e que ele não acredite em milagres, ao mesmo tempo em que as aguas invadiam de forma devastadora toda a cidade, Pedro correra para uma montanha. Muitos já estavam lá, o conhecido “morro da cruz” passa a ser a única parte habitável, quem sabe, o ultimo suspiro de uma humanidade quase extinta.
Por algumas horas, não se sabe ao certo quanto, ele e mais alguns, ficam a espera, não sabendo o que realmente esperavam, era noite, estava tudo escuro, sem as luzes artificiais das cidades.
Ao amanhecer, surgindo com o sol, a visão de uma destruição sem procedentes, prédios se mantinham no lugar, mas como se um furacão tivesse devastado tudo, a cena não assusta tanto quanto o silencio, capaz de tirar dos trilhos o mais sensato dos homens.
Passado o medo, Pedro e os demais abandonam seu refugio e vão a cidade, ou o que restara dela, na verdade, eram pouco mais de 20 sobreviventes, entre homens, mulheres e crianças, o que faz com que tudo se torne ainda mais difícil.
Quando o sol se eleva no céu, o calor evidencia um cheiro terrível, não se pode descrever, no entanto, a cada passo, um ou outro sobrevivente vomita, e por isso, ao mesmo tempo em que se embrenham cidade adentro, eles escolhem um dos prédios próximos e se alojam, precisavam dormir, de um descanso, comer, por as ideias no lugar.

Não cai a ficha, Pedro na verdade não sentia nada, medo, pavor, nada. Não se dera conta do que realmente estava acontecendo, era um pequeno intervalo de tempo, uma noite e tudo havia mudado. Sorrindo para si mesmo, talvez para evitar uma lagrima que britava em seu olhar, ele se levanta e sem dizer nada, a ninguém, sai, mais uma vez, sem rumo.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Urso e o Apc Zumbi - Parte 1

Quando o soil brilha forte, as ondas do mar tocam a areia como um apaixonado amante toca o rosto de sua dama.
Um breve sorriso invade o rosto de um tão conhecido personagem, como que em um filme, Leandro olhava o mar naquela manhã fria, observava apenas, sentia saudade, quem sabe. Tinha em seu rosto, a marca de um tempo passado, passado, vivido, jamais esquecido, mas envolto em uma saudade mortal.
Aquele que era o jovem guerreiro tão capaz de acabar com guerras, levava a paz por onde passava, mesmo que para chegar a paz, o caminho fosse a guerra, estava beirando os 30 anos, tinha em si um medo, sempre fora sozinho, após a morte do seu mentor, pai e amigo, coronel vieira, passa então a viver tão somente do passado, que passava, e passando, passava a incomodar.
Mais de dois metros de altura, corpo levemente trabalhado, outrora por treinos e treinamentos, agora, pelo tempo, as dores e rancores, não sorria com facilidade, falava somente o básico, a quem olhava, um morto, vivo, sem vida, vivendo enfim...
Com armas brancas, era a morte em pessoa, não tinha piedade, matava para sobreviver, viva para matar, com armas de fogo, era o sinistro mensageiro que levava a morte quando preciso, erros não eram cometidos, não sentia medo, não se permitia sentir algo se não a guerra.
Agora solitário, esquecido pela guerra, esquecendo pelo que lutava, aos poucos, se enclausurava, em sua cidade natal, não falava, não sorria, não vivia.
Todas as noites, dorme, não sabe se acordaria mais uma vez.


1
Era um dos invernos mais cruéis de todos os tempos, sendo que jamais pensava-se inclusive em algo maior a se pensar.
Matinhos era uma cidade do litoral do Paraná, brasil, cidadezinha pacata, banhada pelo mar, com não muitos habitantes, não conhecida além do fato de ser uma cidade turística, tão somente três meses por ano, chegando a marca de 200 mil pessoas de passagem aqui.
Aquela tarde não era atípica até então, Leandro sorria pela primeira vez depois de anos, em uma pescaria abundante a beira mar, sozinho em seus pensamentos, mas não pensava em nada.
Do mar ouvia-se um barulho que acalmava a alma, ao mesmo tempo em que onda após onda tocavam o pé de Leandro, que por inúmeras vezes pulava onda ou outra num gesto de alegria em viver.
Leandro, inúmeras vezes havia salvo algumas vidas, era um guerreiro nato, treinado para ação, não sentia medo, não conhecia o medo e tão somente a guerra o satisfazia. A alguns anos no entanto não dava tiro algum, não guerreava, não tinha também amigo algum, falava vez ou outra com algum vendedor ou outro, e era só. Não tinha medo da morte, não tinha medo, não até entender o que é a solidão, o que é estar sozinho em um mundo que ele mesmo ajudou a salvar inúmeras vezes. Seu nome nada significaria aos inimigos, se é que ainda vivia algum ser humano que após enfrenta-lo, não acostumava deixar sobreviventes, e por isso, o premio oferecido pelo  Urso era o maior oferecido dentre todos, de todos os tempos.
O urso, era esse o nome do guerreiro mais eficaz que o governo brasileiro tivera a sua disposição e ainda, por muitas vezes, a segurança de paz, ação e reação, guerras eram evitadas quando Urso empreendia uma guerra particular contra os inimigos.
Naquele instante, o mar que a poucos tocava onda após onda os pés de Leandro, agora regressava rapidamente deixando atrás de si um lamaçal de areia e peixes se debatendo, Leandro então, mais que rapidamente embarca em seu carro e ruma para sua casa.
Pela rua, a calmaria que outrora se mostrava presente, dava lugar a um histerismo coletivo, um vento sul soprava frio, ao mesmo tempo que se ouvia vozes e buzinas ao longe.
Em sua casa Leandro liga a tv e em todos os canais uma só noticia, no mundo todo todos os mares apresentam comportamento estranho, em alguns lugares chegando a retroceder até 4 km, dando sinais de tsnumi eminente, no entanto, no mundo todo, seria o fim da humanidade como a conhecemos.
Leandro deita-se em uma rede na varanda de casa, e como quem está em seu estado mais tranquilo, dorme, sorrindo, dorme.















2
Entao ele acorda, não queria acordar, mas acordou e ao se levantar, olha para o horizonte e uma luz brilhava, era o sol que surgia como uma promessa de um novo dia.
Tenta ligar a tv, em vão, somente o estalo seco de um botão ressecado de um aparelho antigo, se da conta então que não há luz elétrica, está escuro, apesar do sol nascente, Leandro ainda anda pela casa, por algum tempo ainda sente-se sozinho, mas a sensação ainda maior o faz tremer, pela primeira vez algo o fazia sentir medo.
Tenta por alguns minutos ainda, chamar seu cão, Mefisto, em vão, nem sinal do animal, Leandro entra em seu carro, um jeep modelo antigo, e sai sem rumo, em busca de um rumo qualquer.

Pela estrada até a cidade, ele ve o sol nascendo, brilhando ainda mais. Quando adentra por uma rua secundaria, se da conta então da real situação, a cidade toda devastada, prédios totalmente destruídos, casas e carros envoltos por lama e umidade, silencio, não se ouvia um cão sequer, apenas o barulho irrigante de pardais acordando para o novo dia.
Surge então, jogando-se na frente do carro, uma menina, não mais de 20 anos, toda esfarrapada, parecendo um boneco, espantalho mal cuidado, Leandro freia bruscamente a tempo de evitar que a moça fosse atropelada.
Ele desce rapidamente, a tempo de ampara-la nos braços  e poder vê-la desmaiar com uma mascara de terror em sua face.
Leandro deita a menina no banco do jeep, ao mesmo tempo que observa seu rosto contrair, sinal de dor e medo, ela então de súbito desperta, agarra-se no pescoço de seu salvador e grita por socorro, ao mesmo instante em que seu rosto se transforma, seus olhos se esbugalham até que por fim a mulher cai novamente, sem vida, completamente desfigurada.
O Urso da um salto para longe do corpo, tenta por a cabeça no lugar, sorri ao mesmo tempo em que olha ao redor, sorri em sinal de nervosismo, não estava acostumado a sentir medo, nervosismo, mas agora tudo se envolvia em sua mente, ao contrario do que estava acostumado, não sabia o que se passava ao seu redor.
Colocando as idéias no lugar, ele observa o corpo sem vida, retira do carro com cuidado, se da conta então uma grande mordida no braço direito da menina, faltando carne, provavelmente ação de algum animal de grande porte.
Não importando-se para o que via, ele deixa ela de lado e começa a olhar ao redor, o sol já estava alto, e não havia viva alma, nem sinal dos habitantes locais, cães mortos, já tocados pelo sol forte, começavam a dar um ar intragável, ao mesmo tempo em que, conforme andava, alguns corpos humanos estirados em meio a lama e destroços de carros e casas.
Leandro então, solitário, medo brilhando em sua alma, abre os braços e grite como toda a força de seu corpo:
- alguém pode me ouvir, alguém vivo?
Em vão.
Adentra em uma casa, outra, não há sobreviventes, ele então caminha pela rua, sem prestar atenção, quando é atingido na cabeça, cai desacordado.

3
Quando recobra os sentidos, seus olhos pesadamente abrem, são obrigados a fechar rapidamente, a claridade  ofuscam a visão, apertando os olhos, até acostumar-se com a claridade, ele só então se da conta de que está amarrado em uma cama de ferro. Tenta soltar-se por algum tempo, em vão.
O que mexia com Leandro, na verdade, era o silencio que cortava, atingia o sistema nervoso de forma cruel, o jovem ainda por algum tempo se debate, mas chega a conclusão que o esforço era em vão.
Então a porta abre, um jovem, não mais de 18 anos adentra na sala, observando Leandro que agora não se debatia, o jovem olha por alguns instantes, até que Leandro fala:
- quem é você, o que quer comigo?
O jovem de cabelos loiros, pouco mais de 1,80 m de altura, olhos claros e um porte físico comum, após olhar por algum tempo para Leandro, sorri e diz:
- de onde vem?
- não entendo, o que você quer dizer ?
- você tem um carro, roupas limpas, por onde andou forasteiro?
- moro perto daqui, não entendo, o que houve?
- o mundo acabou irmão, não há seres humanos, não há vida, não há mais nada...
- mas...
- foi tudo tão rápido, e ...

Nisso a porta se rompe, uma dezena de homens, corpos destroçados, rostos desfigurados, avançam, o jovem então saca de uma arma e atira, os primeiros caem, mas são muitos,
Leandro começa a se debater aos primeiros tiros, a morte eminente o faz a se debater com toda sua força, um braço solta-se, rapidamente ele saca de uma adaga presa junto ao sinto, solta-se rapidamente e segundos depois já está em pé, matando mais uma vez.

Ao mesmo tempo em que limpa o rosto coberto por uma massa fétida e gosmenta, Leandro olha para o companheiro, seu olhar clama por resposta.