A mãe que carregava o mundo
Quando tenho uma idéia, confesso que se, de imediato começar
a escrever, flui como que por magica, sem ao menos dar descanso a mente. Entretanto, essa historia eu presenciei a
algum tempo, e só agora, meses depois, me pego a escreve-la, culpem-me se
faltar então algum detalhe.
Era uma manhã de segunda feira, o sol brilhava aquela manhã
com tamanha intensidade, animei-me, a tempos que vivia um projeto de exercícios
e dieta, perder peso e ser saudável. E aquela manhã, não tão comum para mim,
apanhei um mp3, coloquei um tênis e sai a rua, caminharia, meia hora, uma hora
talvez, até dar o tempo de entrar no trabalho.
Andava eu por um caminho ainda próximo a minha casa, não bem
um caminho, já que a tempos não tínhamos mais caminhos aqui, mas ruas, terra
batida, mas uma rua. Eu andava despercebido, absorto na melodia que tilintava
forte nos fones de ouvido, quando me dou conta que logo a minha frente, caminhava
uma mãe e seu filho, ela trajando roupa simples, cabelo emaranhado em um rapo de cavalo
descompassado, e um chinelo de dedo rosa, envelhecido pelo tempo. O menino, não mais do que 8 anos, talvez
menos, devidamente uniformizado, o que me assegurava que estavam se dirigindo a
escola.
O que no entanto me chamava a atenção naquela cena, era que
apesar de a mãe aparentar fragilidade típica da idade avançada, e o menino
cultivar a saúde e vigor de quem tem uma vida para sempre, ela trazia a tira
colo a mochila do menino, que perambulava serelepe pela rua.
De primeira, meu pensamento fora, que folgado, enquanto ele
passeia sossegado, a mãe se ferra carregando aquele peso todo.
E sem notar meu olhar, o menino continua sua saga pela rua,
hora corria com um galho nas mãos, imitava o ronco de um motor de carro de
corrida, o galho era o volante e ele um famoso piloto. Largara o “volante” ao
mesmo tempo que inicia uma série de chutes em uma lata de refrigerante vazia,
agora era um importante jogador em final de copa do mundo.
E assim ia, alheio aos problemas da vida, alheio as dores
que marcaram e ainda marcariam o rosto de sua velha mãe, não sei se aquela era
sua mãe, mas ele seguia, não conheci sua historia, não reconheci seus
pensamentos e ainda assim me senti próximo a sua historia a sua vida e a seus
pensamentos.
Caminhamos por mais algumas quadras até que nos separássemos
enfim, rumos diferentes, eu voltava aos
meus pensamentos e musica, e eles, o menino na verdade, quem sabe o que seria
agora, super herói, bombeiro, 007, ou um ninja em missão secreta.
Mas para mim, só depois pude perceber o ato daquela mãe,
amor incondicional, em sua limitação, sua fragilidade feminina e de uma idade
avançada, carregava o peso para seu filho, pois ao carregar o peso, tirava dele
o peso, e ele precisava apenas ser criança, sonhar, e sonhar..
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