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Quando o sol nascia naquele dia, algo havia mudado, talvez
tudo tinha mudado, não se sabia ao certo.
Pedro era um jovem de classe media, boa família, amigos, uma
vida comum e feliz, sonhador, mas que de nada entendia da vida, até então.
Pouco antes, era um dia comum, estando ele em mais uma
semana comum, aula, provas, vida cotidiana que a muito não mudava, mas mudaria,
para sempre.
Com as noticias na tv, como a grande maioria dos seres
habitantes do planeta terra, pouco deram importância, era obvio que não passava
de mais uma noticia como tantas outras, sem fundamento.
Estava Pedro em sua casa, quando resolve sair, como fazia
todos os dias, a menos de um mês sem namorada, sua rotina era correr, andar,
viver sem um rumo aparente.
Quando as aguas invadiram a cidade, o caos havia tomado conta,
não estavam preparados, e em menos de meio minuto, um inferno desencadeou, ao
mesmo tempo que se viam pessoas desesperadas, corpos e gritos.
Por mais que pareça um milagre, e que ele não acredite em milagres,
ao mesmo tempo em que as aguas invadiam de forma devastadora toda a cidade, Pedro
correra para uma montanha. Muitos já estavam lá, o conhecido “morro da cruz”
passa a ser a única parte habitável, quem sabe, o ultimo suspiro de uma
humanidade quase extinta.
Por algumas horas, não se sabe ao certo quanto, ele e mais
alguns, ficam a espera, não sabendo o que realmente esperavam, era noite,
estava tudo escuro, sem as luzes artificiais das cidades.
Ao amanhecer, surgindo com o sol, a visão de uma destruição
sem procedentes, prédios se mantinham no lugar, mas como se um furacão tivesse
devastado tudo, a cena não assusta tanto quanto o silencio, capaz de tirar dos
trilhos o mais sensato dos homens.
Passado o medo, Pedro e os demais abandonam seu refugio e
vão a cidade, ou o que restara dela, na verdade, eram pouco mais de 20
sobreviventes, entre homens, mulheres e crianças, o que faz com que tudo se
torne ainda mais difícil.
Quando o sol se eleva no céu, o calor evidencia um cheiro terrível,
não se pode descrever, no entanto, a cada passo, um ou outro sobrevivente
vomita, e por isso, ao mesmo tempo em que se embrenham cidade adentro, eles
escolhem um dos prédios próximos e se alojam, precisavam dormir, de um
descanso, comer, por as ideias no lugar.
Não cai a ficha, Pedro na verdade não sentia nada, medo,
pavor, nada. Não se dera conta do que realmente estava acontecendo, era um
pequeno intervalo de tempo, uma noite e tudo havia mudado. Sorrindo para si
mesmo, talvez para evitar uma lagrima que britava em seu olhar, ele se levanta
e sem dizer nada, a ninguém, sai, mais uma vez, sem rumo.
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