quarta-feira, 29 de junho de 2011

levantei do chão


Meu orgulho é ter ido ao chão
É ter sido alem da queda
É ter caído e me machucado
E estar aqui, e ter me levantado

Nada me fez sofrer tanto do que sentimentos
Nada me doeu mais do que minha dor de amar
Lembro de quando sofria pelo presente perdido
Lembro, chorava, quando um animal havia morrido

Lembro das noites que dormi com fome
Lembro das manhãs que sorria sem comer
Das tardes em que o café era pão com ovo
E eu nem entendia o que era o sofrer

Então chega a mocidade em com ela os deveres
Perco tudo que pensei ser o real e verdadeiro
Com a idade perdi a nostalgia do meu passado
E homem, eu vi que procurei o que estava do meu lado

Como num conto de fadas o para sempre enfim chega
E eterno, o terno, tornando, me torna solitário
Mais que um sorriso nos dias de festa eu sozinho
Me sentindo nada, uma carta fora do baralho

Se na minha vida, tudo que pedi foi felicidade
Tive momentos em que acreditei ter encontrado
Mas foram mais que ilusões de uma alma de poeta
Que amanhecia sozinho sem um amor do lado

tudo em vão





Foi tudo em vão, sonho não sonhado
Das manhãs em que fiz poesia
Das noites frias que chorei
Das tardes que estive do seu lado

Quem sabe, tudo deveria ser diferente
Quem sabe, eu ainda seja o errado
Fiz promessas, prometi o amor
Mas esqueci, pra viver, de ser amado

Hoje vejo tudo que sonhei, sonhei
Por água abaixo, palavras deram fim
Fiquei mais uma vez sozinho nessa vida
Poema triste que deus fez pra mim

E a cada letra que escrevia, eu sentia
Era o ultimo  poema de amor amando
Foram tantos, quem sabe a realidade
Os poemas agora, só falaram de saudade

Não digo adeus, nada a Deus é adeus
Não digo até mais, não me separo de ti
Ainda vou estar te olhando, te observando
Incógnito, te cuidando pra ti ver sorrir

Enfim, chega ao fim uma fase que amei
Enfim, a Deus eu pedi um milagre na vida
Ele me deu, me deu a dor, pra me faze crescer
E entender que não há poesia perdida

Fui pra ti bons momentos de vida
Foi pra mim o sonho bom que sonhei
Na vida tive dois momentos me lembram você
O dia que ti beijei, e o adeus, que por ti chorei

lagrimas




Lagrimas que rolam no rosto triste
Fazem infelizes os dias meus
Poema triste que faz chorar
E o poeta se apega com Deus

Poema que fala de adeus, nem fiz
Poema que fala de dor, já escrevi
Poema que fala de saudade, sorri
Poema de amor, não, não vivi

Pra falar, poeta tem que sentir
Apago tudo que havia falado de amor
Nada foi então com sentido na vida
Tiro sem acerto, bala perdida

Ainda escrevi de felicidade
Ainda choro, poema se faz
Ainda clamo, a benção
A sincera, benção de meus pais

Nada mais volta ao passado
Mudar é o sentido do poema
Queria ser mais que um sorriso
Queria o coração dessa pequena

Foi verdadeiro em mim, foi sim
Foi real, de verdade o que disse
Poemas que hoje são sem sentido
Como se seu dono tivesse morrido

Talvez fosse melhor a morte
Quem sabe essa dor fosse menor
A dor do amor ou a dor da morte
Resta saber, qual das duas é pior

chorando, vivendo chorando



 
Jogo pro alto minha vida
Apanho no retorno o sorriso
Poema que não faço de amor
Me da as vezes a paz que preciso

Então, chorando eu me encontro
Nessa hora, ninguém pode me acalma
Fiz planos, sonhei vive-los a seu lado
Perdi em sonhos, quando chora a alma

Então a caneta instantaneamente se desfaz
Então, o poema perde o sentido que tinha
É como se nada tivesse valor em minha alma
É um reinado triste, que perdeu sua rainha

Meu reinado de alegria se acaba por fim
Meu reino, castelo acabou por desabar
Sorrio aos amigos que me estendem as mãos
Já que hoje meu desejo é só chorar

E a cada lagrima uma dor maior
É fria como o inverno sem vim
Como se a morte fosse culpada
Hoje a certeza que tu não volta pra mim

Poema, faço pra desabafar minha dor
Poema, escrevo pra acalmar meu peito
Morro, saudade ainda existe em mim
Remédio é você, não volta, não tem jeito

Na subida da minha vida você estava do meu lado
Mas ao descer, minha queda foi culpa minha
Fiz de você meu porto seguro, errei por Deus
Deveria pensar em mim, pra alegrar os dias meus



domingo, 26 de junho de 2011

Mamãe tinha razão


Então a noite estava acabando, pensou Antonio, enfim chegava ao fim aquela noite, nem nos piores dos seus sonhos, ele poderia imaginar que acabaria assim da forma que estava acabando, o sol a pouco iluminava, fracamente fazendo o céu ter uma cor alaranjada que só os amanhecer do litoral possuem.
Ele ainda conservava o cheiro de cigarro e vodka, sua roupa ainda conservava resquícios de um perfuma barato que comprara dias antes, certamente em algum catálogo de vendas, seu cabelo já perdera o penteado feito horas antes com o capricho minucioso de quem sente que aquilo era como seu cartão de visitas, gel, um pente de dentes bem fino, e uma escultura perfeita, finalizada como um sorriso maroto ao espelho e uma piscadela acompanhada de um sina de positivo, típico, típico.
Antonio era o único filho homem de uma família de 4 irmãos, o caçula, na certa alguém deva imaginar se tratar de alguma historia de lobisomem, não, apesar das coincidências, inclusive físicas, Antonio não era o lobisomem e nem outro qualquer personagem da cultura nacional, enfim, era um tipo tímido, muito tímido, chegara aos seus 20 anos sem nunca ter saído de casa ou ainda, como diziam seus pais, conhecido os prazeres da carne, talvez, a criação dada as filhas mulheres, possa ter interferido em seu desenvolvimento como homem, pois logo após a morte do pai, passou a ser criado apenas por mulheres e a telas como modelo de vida, talvez por isso o ato de pentear o cabelo tenha sido tão importante, uma vez que seria aquela a primeira vez que o faria sozinho sem interferências femininas.
Voltemos ao dia que antecederia aquele amanhecer, Antonio após arrumar o cabelo, vestir sua melhor roupa, tênis  devidamente limpo e amarrado da forma que havia aprendido na rua, um laço só, era agora independe, amarrara os cadarços e penteara o cabelo, sozinho.
Queria sair, por intermédio de uns amigos, os poucos que fizera ao longo da vida,  ouvia e sentia necessidade de sair festar, viver a vida que um jovem da sua idade deveria viver.
Antes de sair de casa sua mãe ainda adverte quanto aos perigos que poderia encontrar pela rua, alegando a mãe não saber de nada da vida ele da as costas, ele estava decidido, iria, e sem dar atenção a velha mãe, sai, fechando o portão as costas sem ao menos pedir a benção.
Como um animal em um habitat que não é o seu, assim se via Antonio, fascinado com aquele som ensurdecedor, as luzes davam ao ambiente um ar mágico que faria atrair qualquer animal em busca de novos rumos, novos ares, assim, seus olhos se mantinham esbugalhados e vidrados,  mulheres que dançavam, hipnotizadas pela musica que causava um transe nas pessoas que ali estavam.
Então Antonio avista um amigo, aproxima-se dele lentamente, o mesmo papeava animadamente com outro jovem, Antonio após breve cumprimento, fica meio avoado, sendo que seu amigo ainda tem chama sua atenção dele duas ou três vezes até conseguir ser atendido.

- e ai irmão, pronto pra festa?
- estou pronto pra tudo,  quero que me mostre tudo aquilo que voce vive falando, quero que essa noite seja inesquecível.

Os dois amigos se entreolham como em sinal de aprovação as palavras de Antonio que percebendo ser aceito pelos dois, sorri, ao mesmo tempo que uma mulher aparentando seus 30 anos passa por eles lhe sorrindo e exalando um perfume atraente ao gosto do jovem.
De imediato os 3 saem pelo meio do salão, e são atraídos pela jovem que como que se desejasse ser seguida, vez ou outra olhava pra traz e com sorriso no rosto aprovava o ato dos 3 jovens,  que seguiam, sorrisos estampados, cara de felicidade, nisso uns dos jovens apanha um copo de alguma bebida qualquer, após um largo gole oferece a Antonio, jamais tinha bebido, aquilo era ruim ao seu paladar, mas sorvia com satisfação, aparentava estar deliciando-se com aquilo, talvez por medo de ser reprovado pelos amigos.
Nisso a bela mulher entra por uma porta lateral e Antonio e os amigos a imitam, a porta vai sair num reservado, musica ambiente, muitas mulheres bonitas e risadas altas, traduziam a felicidade daquelas pessoas, Antonio já de copo na mão, sorria muito, se soltava pouco a pouco, ao mesmo tempo em que trocava olhares ainda mais intensos que a mulher que o trouxera até ali.
Os amigos já nem se viam mais, cada um se ajeitara da forma que queria, um sentado a uma mesa jogava baralho, fumando um cigarro lentamente, o outro em um sofá sentado ao lado de uma loira que exibia um decote enorme deixando a mostra o belo par de seios.

Antonio se mantinha de pé no meio da saleta, copo de conhaque a mão, agora já tragava um cigarro de marca barata e vez ou outra gritava em êxtase, demonstrando a todos sua alegria e felicidade, nisso a mulher, aquela que ele observara a noite toda, se achega perto dele, olhando ainda mais intensamente, sorrindo e tocando seu rosto, invocando-o a uma dança sensual, parecia tudo armado, a musica começara a tocar logo a mulher chegara perto dele, e Antonio desinibido pela bebida e a alegria furtiva do momento, dançava colado a mulher, como jamais tinha feito antes, e aquilo dura alguns minutos, e quando a musica acaba, Antonio, radiante procura seu copo, vazio, lança mão da carteira e deixa evidente o maço de dinheiro, segue ao balcão acompanhado pela mulher que entrelaçara em seus braços, e pagando com uma nota de cem, uma bebida a si e outra a mulher que se tornara sua acompanhante, e assim, a noite segue, Antonio sentia-se no paraíso, sorria, dançava e festava como ninguém, e a noite passava e corria nesse frenesi louco.
Por volta das 5 da manhã, o dinheiro acaba, e com ele se vai todo prestigio e amor que Antonio cativara naquela noite, então, achando ter conquistado um grande amor, se aproxima da mulher e sorrindo vai beijá-la ao mesmo tempo que ela vira o rosto, se afastando dele, transtornado com a rejeição daquela que até momentos antes era só atenção e carinho a ele, Antonio vê a mulher sentar-se com outro freguês, que lhe paga uma dose de wiski, arrancando um sorriso largo da bela mulher, Antonio então parte em direção ao homem, e puxando o mesmo lhe defere um soco na face, fazendo-o cair, ao mesmo tempo que  o chuta com demasiada força, instante seguinte, uma dupla de seguranças pulam sobre o jovem espancando-o fortemente, e logo em seguida ele é lançado pra fora, ao mesmo tempo que a porta se fecha as suas costas, a fumaça de cigarro que fugia, se dissipa lentamente, ao mesmo tempo em que ele se levanta, da uma ultima olhada pra trás e sai, humilhado, sem dinheiro  e da mesma forma que entrou, sozinho.


Então, sentado a beira mar, ele olha as ondas baterem na areia, e com o olhar perdido, o olhar de quem não sabe o que fazer, sorri, falsamente, e com uma voz rouca e cansada:

Mamãe tinha razão...