sábado, 3 de setembro de 2011

domingo







Quando o sol chegou, a lagrima foi secando
Quando a lagrima secou, outra nasceu
Era dia frio, um domingo sem cores
O dia, que o triste poeta se foi, morreu

Quando alguém perdeu a calma, chorou
Não bastava o consolo de alguém clamando a Deus
Foi preciso olhar meu rosto sem vida pra entender
que eram finitos, a vida, calados os passos meus

quando minha mãe me olhou, estremeci com medo
pobre velha com a cara mais triste desse mundo, abatida
olhava com rancor, ódio quem sabe do mundo
ao ver naquele caixão seu filho amado,morto, sem vida

quando meu pai falava comigo, via lagrimas caindo
eu, braços postos, olhos fechados, vozes ao fundo
ele me olhava e murmurava sua dor, dizia que me amava
por um segundo, meu rosto sem vida, parecia sorrindo

meu velho, sorri a minha mãe, se amparam pelador
sorrio ao ver a pequena sobrinha acariciando meu rosto
olhando do colo de seu pai, pra mim, sem entender
chama pelo tio, e na sua inocência, ainda me lança uma flor

os amigos, esses não choram, quem sabe a dor que sentem
quem pode julgar uma amizade pela lagrima de dor
quem pode dizer quais os verdadeiros, ali estão
os que ainda sorriem, pois me recordam com amor

alguém entra, se debruça e faz uma oração
ela que me via sorrindo, dizia que me amava,
quanto tempo sem nos ver, e agora assim
ela escondia, mas todos viam que ela chorava

ela ainda chora mas se vai, sem olhar pra traz
remorso de uma vida jogada fora, sem amor,
lembranças do que poderia ter sido e não foi
doendo, poderia ter sido diferente, evitado a dor

o caixão é fechado, chega ao fim o ritual
a dor é visível, minha mãe já nem forças tem
quando o pastor termina sua oração ela desaba
murmurando sua dor, sorri e diz amem

um dia, quando todos já voltarem a sorrir, lembrem
que eu vivi uma vida de amor, por alguém sem coração
que mesmo conhecendo todo amor do mundo se foi
largou meu carinho, poema triste, que vira canção

um dia, todos sorrindo e gozando a sorte
o poeta não mais que lembrança, ai choram
ao lembrar desse triste dia de domingo
o dia, dia de minha morte

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