Hoje abri a gaveta e achei
Uma cartinha, antiga, de amor
Que escrevi pra ela, que linda
Desenhos, pássaros, uma flor
Tão singelo aquele amor
Pequenas frases vazias
Dizia que amava, nem sei
Se era real, ou se amei
Porem, era verdadeiro
Amor, sei la se foi,
Eu sentia que era pra sempre
E acabou, simples, de repente
Então, outra carta apanhei
Essa era de magoas, dor
Falava que a vida havia acabado
Pela perda do meu primeiro amor
Na verdade me lembro desse dia
O resto da noite chorei sem parar
Era pouco mais que um menino, grande
Mas que, sofria, da dor chamada amar
Então o tempo foi passando
Confesso que já chorei e perdi a conta
São coisas da vida, é preciso viver
Fugir das peças que a vida apronta
Já fiz sofrer também, bem sei
Aquelas que nutriam por mim
Amor, aquelas que me tinha, carinho
Eu rejeitei, e por isso, sigo sozinho
Reler, cartinhas de amor passados,
Relembrar, amores distantes que vivi
Entendo que, a cada amor que fui perdendo
Foi um pouco na vida em que eu morri
E vim morrendo desde aquele primeiro amor
De escola, saudades que sinto, dela, de mim, nos dois
Quando eu sorria, éramos mais amigos, namorados
O mundo nos sorria, mas tudo ficava pra depois
Ah, a cartinha que tanto tempo ali ficou
Agora se molha nas lagrimas de quem perdeu
Muito tempo de uma vida cheia de sonhos,
E dos amores, foram embora, sorrisos e adeus
Eu, sentimental, animal que ama, agora
Escrevendo, relembrando está chorando
Dos bons momentos que vivemos, amores
Cada uma, a seu modo, eu, ainda estou as amando
Saudades, guardo as cartas, e o passado vai junto
Fecho os olhos e o pensamento vaga sem destino
Hoje sou homem, sou mais um poeta da vida
Mas que senta saudades, dos bons tempos de menino
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