quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Pra não dizer que não falei de morte



O cano do revolver ainda fumegava
O olhar ainda se mantinha vidrado
O sorriso ainda estava congelado
E o tempo, como se tivesse parado

A multidão num aglomero desumano
O povo queria saber quem foi agora
Mais um que se vai sem motivo
Em mais uma casa, outra mãe que chora

Sorriso, vi poucos, não é possível sorrir
Mesmo odiando, não há que seja capaz
De se ver feliz com a morte de um ser humano
Dói imaginar a lápide que diz, aqui jaz

Choro, de onde se vinha, se ouvia
Chegava ao céu, era mais que oração
Eram mães, eram irmãos amigos,
Lagrimas de dor, que vinham do coração

Então, a arma cai da mão e toca o chão
O sorriso se desfaz ao se chocar com a realidade
O olhar se perde no futuro que ele nem imagina
Mais uma vida perdida, mais uma vida na marginalidade

Ao soar do sirene, não entendi a reação de momento
Foi ao chão e buscou a arma em meio a poça de sangue,
Foi tão rápido que não sei explicar, atirou em fim
Suicídio, realidade, um tiro pra acalmar o pensamento

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