sábado, 1 de outubro de 2011

Loco, fala de rua não


Seu sorriso é implorar carinho
Quando sua fala sai é pedindo amor
Cada palavra que sai de sua boca é balsamo
Que impede que seu corpo sinta dor
                                                                              
Muitos julgam seu estilo de vida
Vagabundo, ta assim porque deseja
Face de uma sociedade sem limites
Que não sabe o que essa alma almeja

Sonhos deve ter como todo mundo tem
Medos, esses são evidentes na sua alma
Quando dorme é com um olho aberto
E qualquer barulho, acorda, perde a calma

Vagabundo, estilo de vida, destino, realidade
Meninos e meninas de rua, sonhos sem sonhos
Medos sem defensores, sorrisos sem amores
Poemas que nunca lêem, dias e muitas dores

Vagabundo, a rua é sua casa, sua sala seu banheiro
Homem que mata, menino que sorri, menino que chora
Vitimas que se tornam vitimas, amigos, que viram inimigos
Inocentes que são vitimas, e pelos olhos, se tornam vis bandidos

Sociedade em que menino de prédio fala da rua, se a rua é “nóis”
E que quem é a rua, não se vê no direito de dizer a rua sou eu
Mundo louco onde quem vive na rua deseja a casa pra morar
E quem tem um teto fala da rua, dizendo que a rua é o seu lugar

Vivo a rua, na minha alma de poeta triste e sem destino algum
Vivo a realidade de quem é rua de verdade e não precisa cantar
Se a rua é o orgulho do menino ali do prédio a beira do mar
A rua é a realidade do menino que nem tem sonhos, nem sabe cantar

Toca um rap e você já procura o irmão do gueto que ta ouvindo
Se depara com play boy que escuta racionais e se orgulha do palavrão
Então o ideal do rap vira moda na rua de cima e o som invade a burguesia
Escutam rap, bebem wiske, falam de favela, mas vivem seu sonho e fantasia

“O Guina não tinha dó:
se reagir, Bum!, vira pó
Sinto a garganta ressecada
e a minha vida escorrer pela escada
Mas se eu sair daqui eu vou mudar”

Então, a rua, a realidade, a ideologia pra melhorar a favela
Fazem do som do gueto o som dos mano rico
Deixamos de viver o sentido da rua, na moral
E se perde o sentido de rua, a rua já era

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