Quando eu pulava cerca
Roubava meia dúzia de goiaba
Não tava com fome, não, não
Mas queria, era mais a emoção
Mas quantos cortes eu tenho
Cicatriz eu aprendi a colecionar
Era toda semana uma diferente
Que já nem lembrava mais de chorar
Quantos tombos mano
Mas quebrei nada, jamais
Eu me cortava todo dia
Mas braço quebrado, jamais
Já peguei rabeira
Até que o motorista fez piada
Feio bruscamente, e pense
Eu e meu irmão, com a cara cortada
Mas não morremos, por isso não reclame
Mas não chorei, ele chorou
Mas e a vergonha de contar
Tivemos que inventar, foi na cerca de arame
E eu já fiz de tudo,
Galo de briga, canarinho, coleirinho
Já criei dois lagartos, uma cobra
Uma aranha, e um tal de bigodinho
Quando fui crescendo, quase me perdi
Na vida, porque diziam que o bom era bebida
E bebi como louco, goles largos de amargura
O problema é que você não vive, bebida é ditadura
Tive uns amigos que vo ti fala mano
Quase me arrastaram pra onde eu não sei
Mas era um tal de usa droga,a vida era uma droga
E ó fui me da conta, depois que me afastei
E na rua aprendi, que um tapa não fica impune
E na rua me liguei que o que vai, volta
E que o segredo é respeitar e esperar respeito
E essa vida eu esqueci, pra mim isso foi perfeito
Eu andava de boa, mas do meu lado o mano não tava
Geral, o canhão gelado tocava meu rosto
Fui humilhado, me senti derrotado
É foda, incomoda, é amargo o gosto
E dali o fundo era meu rumo, era escuro
Um poço sem fundo que eu teimava em aprofundar
Uma carreira que não era verdadeira
Mas me enganava com os sorrisos “sinceros”
Que me lançavam como balas, 380
Mas que cortam, matam, a alma arrebenta
Corri, mas não sabia onde ia chegar
Me encontrei, e não larguei mais
Quando achei uma bola,
E o tal basquete fui aprender jogar
E dali fui crescendo, homem de verdade
Larguei a rua, a rua que não queria me largar
Mas apesar de uma grande batalha
Meio fio de navalha, consegui me livrar
E larguei as bebidas, droga licita que afunda
Foi outra luta que pensei não conquistar
Mas foi dia a dia, não tinha alegria
Mas hoje é vitoria pra contar
E hoje, cada inimigo meu, tem que aplaudir
De pé, assim que é, cabeça erguida, venci
Tem que me respeitar, isso eu conquistei
Não atropelei, mas segui o caminho, que de joelhos tracei
E Deus me fez maior que as lutas,
E minha vida é reflexo desse amor
Tive tantas batalhas, e Deus nunca falha
O menino pobre, hoje se intitula vencedor
E venci, a vida, não davam nada pela minha
E eu venci, sobrevivi
Minha vida é honrada e meninos se espelham em mim
Dou gloria a Deus, por ter mandado batalhas para mim

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