Quando ouvia alguém dizer, meu filho, vamos pra igreja, é
chegada a hora, o tempo está acabando, eu bem que receava, mas na verdade,
tinha medo, mas não o suficiente para tomar uma decisão.
Pois bem, antes de tudo, preciso me definir aqui, sempre fui
ativo em relação a minha opinião e vontades, confesso que me achava dono do meu
destino, capas de compreender o que era melhor pra mim, vivo, mas com o
pensamento longe, que na verdade era um pensamento vago, próximo, o dia era dia
de viver, o amanhã jamais tentei entender.
E me lembro bem das inúmeras vezes em que inesperadamente, alguém
me parava na rua, ou para entregar um convite para um culto, para falar de
Deus, mostrar o quanto Ele era perfeito, o que no entanto não me roubava a
atenção, e por isso, apesar de não negar a Deus com palavras, negava-o, com
atitudes.
Mas a verdade é que ninguém jamais acha que o dia de hoje é
o ultimo dia, e eu tão pouco me sentia mortal ou me achava humano suficiente
para que um dia fosse morrer, ou perder a minha alma.
Mas isso veio tão forte em mim, e tão rápido como um relâmpago,
e realmente é assim que estava escrito, e eu, eu não tinha lido, meu tempo não foi
tempo de me dedicar a Deus.
Era uma manhã de sol, sábado comum, mais um dos tantos e
tantos, como todos, trabalhei a semana toda, acordando cedo, e esperava o sábado
para dormir até mais tarde, ficar a toa, e só.
Me levantei embriagado por um sono que me consumia, fui pela
casa, cheguei a cozinha, um copo de café era o que procurava, não me dei conta
do silencia que dominava o ambiente, e após um largo gole de um café fria que
me arrancou uma careta, murmurei alguma coisa, não havia café fresco.
Procurei pela casa, o relógio já marcava 11:30, por onde
andavam meus familiares, em um dos quartos, uma bagunça, as roupas no chão, uma
vassoura no canto, e nem sinal de pessoas por ali. Entrei em meu quarto, me
vesti, e pouco depois fui a rua, olhei ainda meu cão latindo para o nada, como
que em transe, não liguei, ignorei, sai.
Me dei conta então, que não era tudo como antes, alguns
carros estavam abandonados nas ruas perto, alarmes ecoando a distancia, pessoas
choravam, olhei um dos carros, batido em um poste, e dentro, apenas um terno no
lugar do banco do motorista, ao lado, uma mulher aos prantos, chamando por um
deus que não há atendia.
Perto dali, vi um clarão no céu, pouco a pouco, me
aproximei, um estrondo, um avião havia caído ali perto, passageiros mortos, e o
piloto havia desaparecido em pleno voo, eu não entendia, procurava rostos
conhecidos, mas estava, era sozinho.
Quando você sente ser o deus da sua vida, fica em um vazio
tremendo quando se da conta que depende apenas de você, e eu, dependente de
mim, entendia passo a passo que não tinha respostas, e sentir-se sozinho, é angustiante.
Me lembrei então daquela igreja, minha mãe vivia falando,
vamos filho, é a casa de Deus, e fui a procura, Deus havia me procurado tanto,
por tanto tempo, e agora eu corria a sua procura, o pastor então, a porta da
igreja nem se deu conta quando me aproximei, ajoelhado no meio da rua e com as
mãos sobre a cabeça, clamava, falava alto, desesperado, porque eu não senhor? Onde
eu errei, eu sim deveria ser arrebatado.
Então olhei pela porta, a igreja vazia, apenas roupas sobre
os bancos, era sábado, poucas pessoas frequentavam a igreja naquele momento.
Arrebatamento, me lembrei então quando minha mãe falava, mas
não podia ser, corri desesperadamente, em casa olhei suas roupas no chão, as do
meu pai também, haviam sido arrebatados, eu então olhei sobre a cama a bíblia aberta:
"Digo-vos isto pela
Palavra do Senhor:que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não
precederemos os que dormem(mortos). Pois o mesmo Senhor descerá do céu com
grande brado, a voz de arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram
em Cristo ressurgiram primeiro. Depois nós os que ficarmos vivos, seremos
arrebatados(levados)juntamente com eles nas nuvens, para o encontro do Senhor
nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor."
Então olhei ao redor, sentei sobre a cama, não contive as
lagrimas, desesperado me deitei, gritando, nisso sinto alguém, me segurando os
braços, acordei, minha mãe sorria e me convidava, filho, vamos a igreja,
rapidamente levantei, abracei-a e sem pensar duas vezes, aceitei, volte pra
Jesus, antes que Jesus volte pra você!

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