Despertado pelas palmas que se ouvia
Do escuro e obscuro fui devolvido e sorri
Sentia um choro, aquele sentido, alto, forte
Era uma voz conhecida, talvez, chorando minha sorte
Senti, senti que o frio tomava meu corpo
Senti, a lagrima que escorria e nem sentia
Talvez fosse sem sentido chorar aquela hora
Vi meu sorriso se esvaindo, e a alegria ir embora
Então, sentei na soleira da porta, abaixei a cabeça
Senti tanto medo, vi as pessoas passarem sem me olhar
Uma senhora sai, comenta sobre o forte cheiro da arruda
Eu, com olhar suplicante olhava, como que pedindo ajuda
Eis que vejo movimento de pessoas, me levanto apressado
Vejo minha mãe que chora desamparada, em polvorosa
Seu pranto é sinal do sentimento que toma conta do local
Sinto ainda mais aperto no peito, nesse momento, desigual
Então, dia de luto, vivinha minha família ainda mais unida
Por mais que haja brigas, desentendimentos, atritos
Souberam se unir em volta daquele momento triste
Onde jazia no meio daquela sala, um corpo já sem vida
Então, meu pai, entra, vejo seu olhar cansado,
Talvez por noites e noites que chorou por mim
Que passou em claro, de vigília, e sofria naquele dia
Já não tinha o seu amado menino, do seu lado
Então, eis que procuro, aquela pessoa, não está
Me lembro que foi meu pedido, será que atendeu
Ou simplesmente não importe mais, nem chore
E é mais uma noticia, esquecida, fulano morreu
Eis que vejo, sorrio, sinto que todos que me amam ali estão
Sintam saudades, me vou da vida dando meu ultimo sorriso
Poemas ficam pra ocupar o meu espaço nessa vida
E há quem diga ainda, perdi o amigo, o amigo que era irmão
A multidão agora começa a cantar, uma musica que me faz sorrir
Sinto o quanto aquilo é importante aos amigos que ali estão
Poema mais lindo que ouço naquela triste, mas feliz hora
Sorrio ao ver que todos ainda choram, saudades, eu fui embora
Sinto o ar gelando minha mente, meu rosto se contrai, mas o olho não dói
Alias nada mais dói em mim, o coração é agora puro e verdadeiro
Morto está o poeta que escreveu, viveu, sofreu, quem sabe errou
E na morte leva a certeza de que viveu, e morreu como guerreiro
Naquele dia, sentei a porta e senti o chão sair dos meus pés
Naquele dia, sorrindo vi o cortejo me levando ao campo santo
Eu vivi, pra poder sorrir naquele triste dia, dia de morte
Pra ver a minha, sonhada morte, fui fiel e forte, sofrimento sem pranto
Naquele dia, meus amigos, verdadeiros me sorriam
Minha família me fazia a ultima oração
Os inimigos na certa faziam uma bela festa
Os conhecidos, emocionados, nem criam
Então, vou perdendo os sentidos
Perco a voz, sem força sei minha sorte
A caneta pesa, o corpo sofre
É fim dia de morte...
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